Resumo
Objetivo: Analisar a articulação entre os meios alternativos de solução de controvérsias e o desenvolvimento da justiça restaurativa no Poder Judiciário brasileiro, destacando o papel do princípio da colaboração e das práticas consensuais na transformação do modelo tradicional de resolução de conflitos.
Metodologia: A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza teórico-dogmática e interdisciplinar, fundamentada em revisão bibliográfica, análise normativa e exame de políticas públicas judiciárias. Foram analisados o Código de Processo Civil de 2015, a Lei de Mediação, as resoluções do Conselho Nacional de Justiça e experiências institucionais de implementação da justiça restaurativa, com destaque para o caso do Tribunal de Justiça do Paraná.
Resultados: Os resultados indicam que os meios adequados de solução de conflitos e a justiça restaurativa ampliam a participação das partes, fortalecem a cultura do diálogo e contribuem para a pacificação social além da resposta jurisdicional tradicional. A incorporação do princípio da colaboração redefine o papel do magistrado e dos atores processuais, deslocando o protagonismo vertical para uma lógica dialógica e participativa. Observa-se que a institucionalização da justiça restaurativa, impulsionada pela Resolução CNJ n.º 225/2016, promove a integração entre práticas sociais e institucionais, reduz a litigiosidade remanescente e potencializa a efetividade do sistema de justiça.
Conclusão: Conclui-se que a consolidação da justiça restaurativa no Brasil depende da articulação entre mecanismos consensuais, políticas públicas judiciárias e mudança de mentalidade dos operadores do direito. A adoção de modelos colaborativos e transdisciplinares revela-se essencial para superar o formalismo processual e promover soluções mais humanizadas, inclusivas e sustentáveis de tratamento dos conflitos.
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